bem-vindos
Não, bem-vindo não é algo que você seja. Um cenário violento e cruel de batalha entre seres humanos, vampiros, magos e criaturas estranhas não é algo que se possa dizer estar "bem". De qualquer forma, ofereceremos a você todo um aprendizado sistemático para sobreviver nesta guerra, seja você o que for.

Mal-vindo à nova era!

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2ª Quest: Hoje é dia de Revolução.

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2ª Quest: Hoje é dia de Revolução.

Mensagem por Legendary Air em Sex Mar 21, 2014 7:42 pm




Hoje é dia de Revolução.



As 23:59 do dia 05/04 a quest será fechada.
Antes de postar pense duas vezes no que é melhor para você.

3 meses atrás na prisão de Razgrad:

(Guardas): De volta pra onde você merece. Entra nessa cela e nem reclame. Vamos ver se com mais um pouco de incentivo você decide abrir o bico.
(Bruxo1): Nossa você tá acabado. O que eles fizeram com você? Deita aqui. Alguém tem água?
(Bruxo2): Eu tenho. Tenho um kit de primeiros socorros que um alquimista conseguiu roubar na enfermaria daqui também.
(Bruxo3): Isso é um absurdo, o que eles querem da gente? Eles vão acabar nos matando assim. Temos que dar um jeito de fugir daqui.


***

Alguns dias depois, os bruxos com a ajuda de alguns alquimistas conseguiram bolar um plano de fuga dali. Seria um plano difícil e com muitos riscos já que a segurança da prisão era da mais alta tecnologia. Mas eles achavam que deviam tentar, ou morreriam de tanto serem torturados.
Foi assim que em poucos dias uma correria se instaurou na cúpula quando o responsável pela segurança se tocou do que estava acontecendo. Todos os mercenários disponíveis foram chamados para uma captura pelos prédios e  redondezas. No entanto, alguns dos bruxos mais perigosos já capturados conseguiram a quase impossível liberdade. uma vez que dentro de razgard todos morrerm ou enlouquecem. Mas antes de saírem do prédio, alguns deles foram encarregados de junto com um alquimista invadir a sala do presidente da prisão e pegar as varinhas de volta. Pena que  nem todas foram recuperadas.

Parte 1
Sua missão é:

-Mercenários:
Se você é um mercenário, conte- me como aconteceu essa fuga mais elaboradamente.

-Alquimistas:
Suponha que você era um dos alquimistas infiltrados. Conte-me qual foi o plano e sua participação nele. Lembre-se de colocar pelo menos 3 contratempos.

Suponha que você é um alquimista rastreador, conte-me como ajudou os mercenários a capturar os fugitivos. Ps. você dará suporte então não pode fazer tudo por sua conta e risco.

-Bruxos:
Suponha que você era um dos bruxos presos. Conte-me sobre o plano e sobre como foi a fuga. Lembre-se de colocar pelo menos 3 contratempos.

Parte 2
(escolha sua jornada)

-Mercenários:
Primeiro caminho: Você foi chamado para coordenar o plano de captura com a Chefe da Milícia. Escreva um plano bem elaborado que cerque não só a prisão como também os arredores. E diga como você conseguiu capturar um bruxo que se escondia pela floresta. Lembre-se alguns bruxos conseguiram recuperar as varinhas antes de sair.

Segundo caminho: Você não tinha nada a ver com esse problemas, mas como um bom intrometido pensou que se daria bem se capturasse os fugitivos por sua própria conta e risco. Por coincidência, os encontrou em uma caverna... Eles esperavam sair quando o dia escurecesse, crentes de que os guardas já estariam cansados e seria mais fácil. Mas alguns deles estavam com suas varinhas. Você teve que chamar ajuda e duelar contra um bruxo muito experiente.  Conte- me sobre isso.

Terceiro caminho: Você era o chefe da segurança  da prisão. Conte como foi que os bruxos te enganaram e como foi relatar isso para o presidente que acabou perdendo a cabeça e mandou seus próprios seguranças te darem um coça.

-Alquimistas:
Primeiro caminho: Você foi pego tentando ajudar um bruxo a recuperar as varinhas na sala do presidente. De imediato vocês foram levados para sala de inquisição e logo após a tortura para que entregassem o plano. Disserte sobre isso. / Mesmo podendo sentir a magia dos bruxos, você se enganou com outra fonte grande de poder que não era de um bruxo. Disserte sobre isso.

Segundo caminho: Com medo de que descobrissem seu envolvimento com o plano, assim que os bruxos fugiram você os abandonou. Mas pra onde você foi? Como conseguiu escapar? Lembre-se, você precisou passar por uma milícia armada já postada em frente ao prédio cercando todas as entradas. /  Apesar de ser contratado para ajudar os mercenários, quando contactou com bruxos, alguma coisa o fez não entrega-los pra mílicia. O que foi?

Terceiro caminho: Um mercenário descobriu sua participação e quando tentava fugir você foi atingido e levado para o interrogatório e logo após para tortura. / Sua ajuda nunca foi tão valorizada, além de você ter sido crucial para captura dos bruxos  o alquimista inimigo era alguém que você tinha contas pendentes.

-Bruxos:
Primeiro caminho: Antes de sair você passou no escritório do presidente da prisão para pegar sua varinha. No caminho você lança um feitiço em um guarda e consegue fugir. Mas para onde? Diga como foi que conseguiu entrar no escritório do presidente, e achar as varinhas antes que ninguém te pegasse, e como saiu do prédio.

Segundo caminho: Você não quis recuperar as varinhas por considerar perda de tempo. Mas o caminho que pegaram dava para uma torre altissima sem saída. Se voltasse seria pego. O que fazer? Se render ou haveria outra saída?

Terceiro caminho: Na confusão para sair do prédio você ficou preso em um lustre que despencou em cima de você. Um mercenário conseguiu te capturar. Você foi levado a sala da inquisição e teve a oportunidade de ficar cara a cara com a gatissima chefe de tortura, Katerina M kauffman

Obs: Lembrem-se;

Mercenários:Pegar um bruxo não é fácil. E se você é o encarregado pela estratégia de captura eu quero bem elaborada.
Bruxos: O plano de fuga tem que ser bem elaborado. E se conseguiu fugir, a fuga não pode ser fácil. A prisão é um dos lugares mais seguros existentes no jogo.
Obs 2: Quero ação! Tentem não me fazer dormir lendo. Vale tudo aqui pessoal.





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Re: 2ª Quest: Hoje é dia de Revolução.

Mensagem por Katerina M. Kauffman em Sab Mar 22, 2014 10:03 pm

Rebelião


O dia estava rotineiramente entediante, afinal,  os tempos estavam escassos, poucos eram os bruxos que chegavam a prisão de Razgard. A maioria deles morria na captura, ou então, no caminho para a prisão, quando a frágil, mas imortal esperança de liberdade lhes embriagavam a mente fazendo com que morressem tentando escapar.  Era azar, morrer, quando poderiam viver com ela, conversar com ela e se divertir com ela.

Esses pensamentos fruíam da mente de Kate, enquanto ela batia a ponta de uma varinha sistematicamente na bochecha e olhava pela janela de seu escritório. Ele ficava na parte mais alta da prisão, nas masmorras e o mar gélido que envolvia a pequena ilha que era razgard enegrecia a paisagem.

-Será que se eu jogar algum bruxo daqui de cima, sem varinha, ele sobrevive? E com a varinha?

Ela suspirou enquanto se levantava da cadeira e se aproximava da janela para calcular a altura. Dias assim eram chatos, ela havia dispensado o cargo na sede da cúpula justamente por causa do tédio, e lá estava ela, entediada e ganhando menos. Olhou para a porta, paa verificar que estava fechada e apontou a varinha para a janela.

-Alohomora.

Nada aconteceu, ela deu de ombros . Era um pouco invejável essa magia que facilitava tudo, esse poder não poderia ser uma dadiva, com certeza era uma maldição, ela tinha plena convicção de que não era natural e assim como a maioria dos mercenários, só sabia que devia ser eliminado. Abriu a  janela pesada de vidraçaria gótica e se dependurou no parapeito. Ela pareceu não notar o vento gelado atingiu a sala e apagou a lareira que deixava o ambiente aquecido. Ao contrário das pessoas normais ela não fechou a janela, ela  se esticou para fora o máximo possível. Sim, era bom quando para katerina sentir dor era a sensação mais íntima e verdadeira do ser humano.

- Acho que seria fatal...

Tudo estava calmo demais.

Foi quando algo fora do normal invadiu aquela paisagem acinzentada,  um vulto correndo e se jogando no mar, ele nadava em direção ao continente, 2 km mais ou menos estava a praia e as florestas negras de Razgard. Mas ninguém nadaria em horário de trabalho, ainda mais com aquela temperatura, então, obiviamente ele não era um funcionário, muito menos um banhista...

-Fugitivos!

Sibilou com um meio sorriso, agora as coisas ficariam interessantes. Rapidamente voltou-se para a mesa e discou para o responsável pelo andar do térreo, mas eles já haviam descoberto o problema . “Senhorita Kauffman, não sabemos como,deve haver um traídor, já soamos o alarme” Desligou o telefone e abriu a primeira gaveta da mesa.  Assoviando Twisted Nerve colocou a faca no suporte da coxa ( clichê, mas vamos combinar, é muito sexy) e a pistola levou na mão.
Assim que a porta do escritório bateu, ela conseguiu perceber a balburdia e os barulhos de sirene. Um reles segurança estava passando e ela  simplesmente bloqueou sua passagem com a mão livre em seu tórax.

- Me deixe informada.

Gaguejando ele tentou ser o mais sucinto e completo possível, e Katerina curtindo seu sofrimento  fez questão de deixar a mãos até o fim da conversa.

-3 bruxos, sem varinhas,  possível alquimista envolvido, um parece que enlouqueceu e se jogou ao mar.

Enlouqueceu, ou percebeu que morrer afogado seria menos doloroso do que o fim que seus companheiros aguaradam? Pensou arqueando a sobrancelha, mas evitou dizer, ela estava sem tempo.

- Pode passar.

Então  desceu as escadas e foi em direção uma pequena porta com uma fechadura peculiar. Se os bruxos estivessem sem varinha, existia uma possiblidade de tentar recupera-las. Quando entrou na sala  discou para o térreo novamente.

- Os fugitivos já foram identificados.

- O primeiro tem aparência...

-Não quero características seu imbecil, quero o nome, quero o número, quero a identificação.

-Não temos essa informação senhora.

-Pois que façam isso agora, mande um mercenário recém formado descobrir qual a cela dos fugitivos e me ligue quando souber. Agora entendeu?

Desligou o telefone e procurou na estante o livro de registro dos prisioneiros vivos. Assim que o colocou na mesa  o telefone tocou.

-São os presos da cela 265.

Abriu o livro e foi para a página correspondente ao número, e lá estava todos os dados inclusive a descrição da varinha de cada um deles. Fechou o livro e começou a olhar a sua volta. A porta apesar de  pequena, era a entrada de um enorme corredor que tinha espaço suficiente para estantes longitudinais que alocavam centenas de varinhas, afinal, ela era uma Kauffman, e todo Kauffman tem um hobbie peculiar: Guardar as varinhas dos bruxos que captura, no caso dela, era algo além do hobbie, era uma obsessão.

Todas tinham uma etiqueta e um número, então foi fácil achar as varinhas correspondentes. Analisando-as pode perceber que eram varinhas frágeis, duas de escama de coração de dragão e uma com crista de unicórnio. Madeiras de azevinho, cerejeira e carvalho respectivamente. Acariciou cada uma delas antes de parti-las ao meio.

-Adeus meus bebes.

Saiu do pseudoarmario e voltou para a sua sala. Assim quem entrou Boris, o responsável pela ala 2 estava em pé, no meio da sua sala, katerina percebeu que ele nãoesperavaque ela retornasse tão cedo.

- Pode se assentar Vladvostor, afinal, você não vai sair daqui tão cedo.

-Não obrigado, eu só ia deixar os papeis, relatando os acontecimentos...

Ela sorriu para ele e colocou a pistola sobre a mesa, então pegou a faca q estava no suporte e abruptamente fincou na mesa enquanto perdia o controle.

-SENTE-SE VLADVOSTOR.

Ele se sentou e ela  soltou a faca que ficou agarrada verticalmente na mesa, Katerina sentou-se logo em  seguida.

- Por que você não me conta o que houve, assim me poupa o chatice de ler esses papeis.

Ela pegou os papeis que estavam empilhado e jogou em direção a ele, os papeis se espalharem pelo chão depois que bateram na face de Boris, ele não se moveu.

-Fuga de 3 bruxos jovem adultos as 17:00h, no momento da troca de turno, cela arrombada por magia, ninguém viu o ajudante que abriu a cela, provavelmente alguma magia de invisibilidade. Os sensores ( era como os mercenários chamavam os alquimistas que trabalhavam na segurança) não notaram sinais de energia incomum, então assumimos que deve ter sido um alquimista do lado bruxo que tenha obtido alguma poção de invisibilidade. Um dos fugitivos tentou voltar para pegar sua varinha, mas os cercamos e ele se jogou ao mar, já recolhemos o seu corpo, ele morreu por que foi jogado nas pedras pelas ondas. Os outros dois estão desaparecidos.  Não tem como eles saírem da ilha, mas estamos monitorando. Creio que eles tenham alguma técnica de invisibilidade, só pode ser isso milady.
A mulher olhou demoradamente para Boris e depois disse secamente.


-Invisibilidade? Você quer que eu diga para o presidente que os bruxos tinham o que? Uma capa da invisibilidade igual dos contos de fadas? Igual as historinhas de Harry potter?

A risada irônica da Senhorita Kauffman preencheu a sala que estava ainda mais gelada.

-E onde você estava as 17h?

Ele não respondeu. Então ela pegou a faca e começou a deslizar pelos dedos da mãos como se quisesse que ela cortasse sua pele.

-ONDE?

Boris olhou para baixo e disse envergonhadamente.

-Eu estava na ala 3 conversando com a Christine.

A prisão era dividida por alas, a cada 4 celas, duas de um lado e duas de outros, existia um guarda que ficava responsavel por vigia-las. No caso de Boris, ele estava um pouco distante das suas celas e aquilo era o suficiente para Katerina Kauffman surtar.

- Afinal, já eram cinco da tarde e você iria já estava indo embora não é mesmo? Esperar o outro guarda chegar, é só protocolo não é mesmo? Tudo estava seguro, flertar com Christine não iria ocasionar uma confusão como essa não é?

Ela estava calma demais, foi então que Boris notou a mão de Katerina, um filete de sangue escorria dela. A mulher havia cortado a própria mão para evitar machuca-lo? Talvez.

-Está dispensado.

Escureceu e os bruxos não foram encontrados, Katerina não dormiu, apenas esperou o dia clarear para pegar a barca para para o continente e então se dirigir a sede da cúpula para relatar o ocorrido.

Sua mão enfaixada dilatava, mas o medo de encarar a face de decepção do pai fazia com que aquilo não fosse algo a se preocupar. Quando o elevador se abriu no ultimo andar da sede ela respirou fundo e entrou.

- Katerina M. Kauffman, reponsável pela prisão e centro 3 de inteligência de Razgard.

Disse sem olhar para o ancião que estava em pé  de costas para ela e com o olhar fixo na janela a sua frente.

- Kauffman...

A mulher se aproximou um pouco mais e quebrou o novo silêncio que havia se inserido com as informações formais.

-Houve uma Rebelião na prisão na tarde de ontem, 3 bruxos fugiram, um morreu os outrso 2 estão  desaparecidos desde as 17h de ontem, não possuem informações sobre nós, também não levaram as varinhas.

-Você está com a varinha deles?

A pergunta parecia inútil para um leigo, mas para os Kauffman era uma pergunta agressiva.

-Claro que não pai.

A mulher agora parecia uma menina indignada, mas logo retomou a postura.

-Não, senhor presidente, eu já eliminei as 3 varinhas.

-Ótimo. Não devia ter te colocado lá, você é muito jovem para esse cargo Katerina.

Pela primeira vez o pai de Katerina estava virado para ela, aquele olhar de decepção.
-Eu consigo.
Mas ele já não estava escutando, o presidente sabia o q era necessário ouvir ou não e por isso ele apenas fez o sinal para que ela se retirasse.

- Você terá que pagar pelos seus pecados.

E Katerina saiu da sala, sabendo o que lhe esperaria.  Assim que a porta do gabinete do presidente se fechou, dois seguranças de elite já pegaram a mulher pelo braço e levaram- na dalí. Mas ela não ofereceu resistência, algo no fundo do seu âmago, sabia que ela iria gostar do que viria a se seguir.

ENCERRADO

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Re: 2ª Quest: Hoje é dia de Revolução.

Mensagem por Lucas Kallistw em Sab Abr 05, 2014 9:59 pm




Escape. We are reborn.

Lucas Kallistw. 22 anos. Wizard.

Os dias naquela prisão eram sufocantes. A alimentação era escassa, as celas acabadas, e o ambiente fétido. Não se movia, e nem se queria, as correntes postas ao fazê-lo dilaceravam lentamente a carne. O silêncio mais que preservado, era imposto; Aos que ensaiavam meras palavras, tortura. Até o mais descrente concordaria que aquele lugar era uma obra infernal. E como se não bastasse, era regida por alguém, talvez, ainda pior, o lorde da trevas, o último rosto o qual ninguém queria presenciar. Vê-la, nem que seja apenas por um momento, já fazia o corpo quase morto tremer.

Por longos e irrequietos anos eu sofri naquele cárcere. Condenado por motivos antigos e deturpados, que sequer davam-me o direito de argumentar. Condenado por ser o que sou. Condenado por ser um bruxo. Não reneguei minha raça, apesar de ter custado parte de minha sanidade. Preferi morrer louco, do que viver como um covarde.  Porém, era hora do fim?

•••


Mais um dia em Razgrad. Estava deitado naquilo que chamavam de cama, olhando para o teto vazio, completamente alienado; A falta de esperança, somadas aos castigos intensos, ceifavam-me qualquer possibilidade mental, afinal, era melhor pensar em nada, do que relembrar que estava ali. Porém, algo não tão novo aconteceu: Mais um irmão tinha sido capturado, e trazido para cá. Jogado no chão, ajudamo-lo a levantar. Apesar dos ferimentos, e lesões, ele não estava abatido; Pelo contrário, fazia um esforço além dos limites para tentar falar alguma, talvez importante, antes de desmaiar. O que ele queria dizer com isso? Eu não sabia, mas suspeitava que fossem meras alucinações de mais um morto trazido para cá.
Va... Vamos... Sair...

Após alguns dias de coma, ele acorda, embora ainda bastante fraco. Um de nós traz um pouco de água até ele, para que se recomponha. E, novamente, o sujeito exige mais que seu corpo pode aguentar, para nos dizer outras e novas coisas. Dessa vez, de importância crucial.
Te... temos que planejar. Meu corpo... mapa.

Em seguida, ele tirou sua blusa e mostrou seu corpo completamente tatuado. Ao ligar os fatos, uma revelação óbvia: Ele tinha desenhado em si próprio, a planta geográfica da prisão. Eu me espantei. Como ele conseguiu isso? E porque vir pra cá? Será um plano para libertar todos daqui? Destruir esse lugar? - Dúvidas mortais me rodeavam. Será que vou ter minha liberdade novamente? - A principal delas. Toda aquela loucura em apenas sonhar ver-se fora dali, trazia-me um sentimento a muito tempo esquecido, esperança.

Alguns dias depois, completamente revigorado, ele conseguiu me explicar tudo, como tinha conseguido tais informações e porque fazia aquilo. Os bruxos de Gringotes conseguiram capturar um mercenário vivo, e, através da poção da verdade, obrigou-o a revelar seus segredos, sendo um deles, uma possível maneira de sair daqui. Porém, mercenários conhecem tal artimanha e, portanto, evitavam compartilhar todo o conhecimento com seus inferiores, assim, não descobrimos outro jeito de chegar aqui, a não ser que um de nós fosse capturado. Apesar das diversas dificuldades que existiam na realização desse plano, e das incerteza de nossas ações, meu acreditar de outrora tornou-se mais, uma confiança sem fim. Havia-se formado uma coisa na qual eu podia acreditar novamente, algo que me trazia de volta ao mundo dos vivos.

Poríamos o plano em ação. Em baixo de toda cela passava um túnel de fuga, para caso a prisão fosse atacada. Inicialmente, o que tínhamos que fazer era um tipo de buraco afim de ter acesso à essa passagem. Porém, como fazê-lo sem que sejamos percebidos? Para isso, passamos vários dias estudando o comportamento dos guardas.
O poste e o fumante ficam cerca de três minutos parados, depois caminha um de encontrou ao outro. Juntos, permanecem por cinco minutos, depois, voltam a suas posições iniciais. Repetem esse processo no mínimo duas vezes por dia.
O manco costuma se mexer mais. Ele costuma dar a volta no dormitório a cada vinte minutos. Devido a sua deficiência, ele demora aproximadamente cinco minutos pra completar a volta. Seu companheiro de guarda está sempre parado, o estátua.
O monstro também fica quase sempre parado, a não ser quando sai. Pra nossa sorte, ele sai pelo seu próprio lado, não passando por nós. Matilda só faz uma ronda rápida, cerca de dois minutos.
Por que o nome desse guarda é matilda?
É... é que ele parece uma ex-professora gorda minha.

Estudado passo a passo de cada um que nos vigiava, fomos capazes de criar brechas onde poderíamos cavar sem que nos vejam. Entretanto, ainda tinha um problema. Porém, o que faríamos para não sermos ouvidos? Eis que algo me vem à cabeça, tão impressionante quanto insano; Porém, talvez, fosse nossa única opção. Nas poucas horas que tínhamos de contato, eu disse para meus irmãos bruxos que gritassem o mais alto que pudessem quando estivessem sendo torturados. Apesar de não entenderem do que se tratava, eles me ouviram, e cumpriram o pedido. Aliás, não seria muito difícil. Assim, em certos momentos nós poderíamos nos mover quase tranquilamente, já que, qualquer ruído nosso, seria ofuscado em meios aos prantos dolorosos mais agudos do que nunca. A dor causada seria usada contra eles, afinal.

Enquanto eu vigiava, os outros dois cavavam. O processo demoraria dias, já que nossos instrumentos eram pratos sujos, e outras pedras velhas. Além disso, nosso turno variava de acordo com circunstâncias impostas, o período dos guardas, e sons das torturas. Mas nós contávamos com uma determinação sem fim, empurrados pelas dores, e solidão daquela cadeia imunda. E assim foi, por extensos e cuidadosos dias.

Entretanto, lutamos contra um inimigo igualmente sagaz. Em um dia qualquer de trabalho, fomos surpreendidos por uma supervisão extra. Assim que os avisei que estava vindo alguém, eles taparam rapidamente o quase buraco; Porém, a pressa fez com que uma das bordas não se encaixasse perfeitamente, deixando ligeiramente perceptível nosso feito. Quando entrou, eu tive que tomar uma atitude rápida, para que ele não percebesse aquilo, afinal, se o fizesse, nosso plano seria descoberto, e, evidentemente, nós estaríamos mortos. Sem pensar, eu agi: Pulei em sua direção, e apliquei-lhe um potente soco, carregado por uma raiva sem fim, que há muito tempo queria fazer, e que só não tinha o feito, pelas mortais consequências que o acompanhava. Porém, enfrentá-las-ia agora com um imenso prazer, graças à motivação conquistada.

Eu fui levado até a sala de tortura. Lá, todos meus pesadelos tornaram-se realidade. Inicialmente eles deram-me uma injeção de adrenalina, para que eu não morresse, para que eu sentisse tudo do início ao fim. A primeira chicotada fora proferida, dobrando meus joelhos com tamanha dor. Afinal, um nômade da paz não estava nem um pouco acostumado àquilo. Logo, outras vieram; A cada uma, meu corpo elaborava um novo significado para dor. Eu podia sentir minha carne sendo rasgada, eu podia sentir cada gota de sangue escorrer, eu podia sentir meu corpo morrer. Porém, meu espírito mantinha-se forte, mais que isso, revigorado. Inclusive, gritava o mais alto que podia, assim como os outros faziam, lembrando a meus irmãos, e também a mim mesmo, que o plano ainda estava vivo. Sofrer por uma causa maior, não é sofrer.

Voltei, felizmente, respirando à minha sela. O corpo ainda dormente devido as torturas deixou-me incapacitado por alguns dias. Porém, ao ver nosso avanço, minha melhora fora impulsionada. Tinha que me recuperar, o momento estava chegando. Enquanto eu me recuperava, repassamos as funções.
Então, quando nós conseguimos acessos aos túneis, a primeira cosa que vamos fazer é ir até a sala de máquinas, de onde abriremos todas as celas, instaurando um caos. Todos ficarão sabendo da passagem em nossa cela, para poder nos acompanhar em lugar demarcado.
Certo. Aliás, a algazarra criada pelas centenas de presos soltos, fará com que o caminho até a sala principal esteja livre, onde recuperaremos nossas coisas.
Como lidaremos com guarda que fica na sala de máquinas?
Eu acho que teremos o elemento surpresa a nosso favor, ele nunca imaginaria três presos fugindo desse lugar.
Até então perfeito. Porém, se encontrarmos outras guardas pelo caminho?
Teremos que lidar com eles seja como for.

•••


Finalmente a passagem estava pronta. Chegara o grande dia, o dia em que correremos pela liberdade. Conferi rapidamente se todos já sabiam o que deviam fazer; Suas respostas claras e diretas mostravam-me mais, estavam também preparados.
Ok. Vamos fazer isso.

A partir de agora, não tínhamos noção do que ia acontecer. Saltamos pela abertura estreita, e caímos no túnel, como esperado. Porém, precisávamos comprovar a eficácia do mapa tatuado; Assim, caminhamos silencioso até a primeira entrada delimitada por ele, a fim de comparar com o que víamos. De fato, a previsão realizou-se, tudo ainda corria bem. Então, fomos em direção à sala de máquinas, completar o primeiro passo. Chegando lá,  avistamos a porta entre aberta; Com alguns gestos, demarquei o que devia ser feito. Enquanto um chutou a porta, os outros dois pularam no vigilante, e golpearam sua cabeça contra a mesa. Por mais que nós bruxos não fossemos uma raça guerreira, contávamos pelo menos com uma vantagem numérica, assim, fora suficiente para desmaiá-lo. Fitamos o painel, e procuramos pelos botões certos. Conseguimos! As celas estavam todas abertas, e logo aquele instituto macabro cairia em falência. Antes de sairmos dali, furtei a impressionante faca do caído, apesar não querer usá-la, eu tinha que estar preparado.

Voltamos para a segunda parte: Recuperar nossas coisas. Enquanto corríamos incansavelmente, podíamos ouvir a gritaria e os alarmes tocando. Apressava-nos ainda mais. Porém, o pior acontece: Numa curva qualquer antes do nosso objetivo, um último guarda que partia ao dormitório, suspeitou de alguma coisa, e voltou, dando de cara conosco. Não tínhamos nossas varinhas, e, frente a frente, até a mesmo a quantidade não importaria; Estávamos diante de um exterminador profissional de bruxos. Tanto é que ao empunhar a faca que tinha pego, ele gargalhou descaradamente. Veio em nossa direção mais ágil que nossos olhos podiam acompanhar. Tentei um corte vertical, mas sua esquiva fora impressionante, dando-lhe ainda espaço para contra-atacar com um golpe rasteiro. Passando por mim, ele golpeou também meus aliados, que se quer esboçaram defesa. Antes que levantássemos, ele continuou, massacrando-nos com socos e ponta pés. Em seu último golpe, um chute no meu abdômen ainda caído no chão, jogando-me a alguns metros para longe. Não fazia parte do plano morrer ali, eu ainda tinha um último movimento.

Ergui-me com bastante esforço, para dizer-lhe palavras insanas, com tamanho deboche, e inteligência.
É tudo que tem?

De fato, não devia-se fazer isso contra um mercenário, ainda mais nas circunstâncias que me encontrava. Porém, eu precisava daquela fúria, capaz de cegar até o mais esperto soldado. Ele saca sua espada voraz e, novamente, vem até mim, porém, desta vez, ainda mais rápido; Sua raiva falava mais alto, não podia deixar um bruxo menosprezá-lo assim desse jeito. Chegando até mim, eu ensaio de novo a mesma investida, mesmo sabendo que seria ineficaz. Porém, junto a ela, um grito estratégico. ─ Gravoesir! ─ Ele desvia facilmente, e, logo em seguida, crava sua espada no meu coração. Antes dos meus olhos fecharem, eu pude ver a vontade com que fazia aquilo.

Em segundos, meus olhos reabrem, para seu espanto. Toda aquela vontade de outrora torna-se em um medo sem fim, quase paralisante. Ainda mais quando meu sussurrar toca seus ouvidos.
Eu não temo a morte, mercenário. E você?

Era minha vez: Sem qualquer reação, e bastante próximo a mim, ele tornou-se um alvo fácil. Minha adaga ergue-se, para uma descida mortal, cravando-se em seu pescoço. Inevitável, ele morre, e, diferente de mim, não iria voltar.

Meus amigos não entenderam o que aconteceu, e eu também não dei espaço para que pensassem, tratei logo de agitá-los, lembrando-os que não tínhamos tempo suficiente para isso. Prosseguimos, então, para a sala central. Confesso, que apesar da pressa, não pude deixar de notar tamanha riqueza do local. Entretanto, aquilo mais que me espantava, criava uma certa raiva. Como podiam viver com tanto luxo, enquanto nós chegávamos a passar fome? Nossa vingança viria outra hora. Pegamos nossas coisas dentro de um depósito na lateral da sala; A organização exemplar deles, facilitou-nos reconhecer, pelo menos, a nossa. As demais, foram guardadas em saco qualquer, para serem levadas ao resto dos prisioneiros. Nesse momento, minha faca salvadora tornou-se uma gravura, posta no meu braço.

Voltamos, e, adotando um novo caminho, encontramos parte dos que também tinham se libertado. Muitos deles tinham se sacrificado por nós, e era por eles que corríamos. Os que restaram, acharam suas varinhas rapidamente, antes que voltássemos a fuga.
Por que não aparatamos?
Não! Nem pense nisso! A prisão é cercada por um campo eletromagnético capaz de matar quem tentar se teletransportar daqui. É obra de um alquimista bastante poderoso, aliado a esses porcos por dinheiro.

O último caminho era uma caverna, escondida, ponto de fuga para os mercenários caso a prisão, além de atacada, estivesse sendo destruída. Saia na floresta ali perto, onde, um pouco mais a frente, poderíamos aparatar. Fomos então, em sua direção. No caminho, passamos por um grande salão, com teto de vidro; A sorte não sorria para nós. Ao se deparar com a lua, uma de nossas companheiras, foi pega pela sua maldição: A fera metade humana, metade lupina.  Fazia tempo que ela não tomava suas medicações, e, rapidamente, transformou-se na criatura. Sem qualquer controle sobre si mesmo, ela começou atacar até seus irmãos. Mais um sacrifico seria feito... Dessa vez, o meu. Gritei para que todos continuassem, que eu cuidaria daquilo. Receosos, eles não queriam me deixar, mas precisavam, e eu mostrei-lhes isto com um grito quase heroico. Antes de saírem por completo, joguei minha varinha para um deles. Eu sabia que não sairia dali, não com vida.
Eu falei para irem!

Assim, tomada minha decisão, eu agarrei a fera e lutei com toda minha força contra ela. De fato, fora em vão minha tentativa de disputar forças com ela; Simplesmente, rodou-me e me rebateu contra a parede. Mas eu tentei novamente, não esperando vencer, mas que pelo menos me ouvisse. Desta vez, a criatura cravou seus dentes sobre meu ombro, rasgando minha carna. Toda minha dor fora expressa em um único e crucial sussurro.
Lembrem-se quem você é, Mary!

Ela precisava enxergar em que ponto tinha chegado, sendo capaz de ferir seus próprios irmãos. Senti uma leve enfraquecida na mordida, e, assim, prossegui.
Sou eu Mary, Lucas, seu amigo, seu companheiro. Eu só quero seu bem. Você não é esse monstro. Lembre-se Mary, lembre-se!

Enquanto ela se controlava, os mercenários finalmente chegaram. Porém, agora, eles teriam que enfrentar aquela fera controlada, que, por sinal, tinha um ódio profunda contra eles. Uma batalha temerosa fora travada, entre a lobo e os soldados. Apesar da vantagem numérica, o monstro parecia ser imbatível, dilacerando um a um, além de me proteger, agarrado em suas costas. Eis que um deles, vendo seu fracasso, atira contra o lustre no teto. Ele queria fazer com que o objeto caísse sobre nós. Mas não caiu, não sobre todos. Empurrei ela com toda minha força, tirando-a da área de impacto. Porém, eu não tive chance nenhuma de escapar. Meu corpo ficou preso sob os destroços.
Vá Mary, fuja! Pode ficar tranquila, eu vou ficar bem.

Confortei-a, mesmo sabendo que era meu fim. Ela o fez, deixando uma lágrima para trás. Os mercenários se aproximaram, e prenderam-me, levando até a sala principal de tortura. Era chegado meu fim.

•••


Meu olhos entre abertos mal conseguiram enxergar o que se ocorria ao meu redor. Meu corpo ainda dormente também impediu-me de sentir o que se passava. Eu estava ali, mas não estava. O máximo que consegui foi ouvir algumas palavras tortas, que não me faziam qualquer sentido. Causador... Pegaremos... Torturar... - Apesar de meus esforços, não conseguia decifrar o enigma. De fato, até minha mente desgastou-se devido aos danos. Alguns segundos de espera, e pude, finalmente, sentir algo: Um injeção no braço esquerdo. Antes de suspeitar possíveis coisas ruins, fora tomado por uma energia revigorante, renovadora. Adrenalina, pude concluir. Consciente, minha primeira e básica reação fora tentar escapar. Em vão, meus braços estavam acorrentados à parede, e meus pés presos ao chão.

Fitei o local em busca de alguma coisa... Eis que eu me deparo com ela. Sua beleza, um fascínio. Não conseguia mais retirar meus olhos dos delas, havia me perdido naquela infinitude tão perfeita quanto insana. Sem entender, meu coração bateu mais forte. Isso é efeito daquela droga? Só pode. - Ou seria mais que isso? Minha confusão era razoável. Entretanto, de uma coisa eu tinha certeza: Estava prestes a confrontar um sofrimento sem fim. Faria-o com vigor e mais, confiança, afinal, o plano principal tinha dado certo.
Acho que você teve um pequeno problema de segurança.
Parece que você recobrou a consciência.

Meu tom sarcástico rapidamente obtêm uma resposta daquela à minha frente. Ela parecia esperar meu acordar. O jeito que ela falou, soou estranhamente alegre, quase que feliz com aquela situação. Porque tal felicidade mediante um fracasso gigantesco? A única resposta viável seria o que estava por vir. Notei uma quite de agulhas acessível em cima de uma mesa de pedra, onde a tirana estava apoiada. Não quis imaginar nada sobre aquele cenário mórbido, nem as experiências macabras que tinham passado por ali. Aliás, nem tive tempo.
Você não está agradecido por sair da rotina Sr. Kallistw? Imagino como deve ter sido horrível os dias naquelas celas sem diversão ou companhia...

Enquanto tais palavras eram entoadas, ela abaixou-se, ficando face a face de mim. Eu tentei não demonstrar, mas estava paralisado, e não eram as correntes. Seu brilho fazia-se tão presente, que foi capaz de hipnotizar-me, mesmo sabendo o que aquele monstro tinha e seria capaz de fazer. Eu não evitei que ela percebesse; Seus olhos permaneciam vidrados nos meus, irresolutos, como se fossem meus donos. E eram. Ainda mais quando ao erguer sua faca, revelou-me certa parte de sua coxa, onde ficava o coldre. Enquanto ela deslizava a lâmina por entre minhas tatuagens, eu só conseguia pensar em como ela era perfeita.
Podemos terminar rapidamente quando me disser aonde estão seus amiguinhos, ou você pode me entreter até que eles apareçam por aquela porta quando os guardas os encontrarem. Você é quem decide.

Após o ultimato, seu cortar tornou-se mais intenso, percorrendo todo meu tórax até finalmente parar na minha cervical. Ali, um pequeno desconforto na jugular, sufocante e quase mortal. Mas o que era aquilo? Porque eu não conseguia sentir uma gota se quer de medo, ou pavor. Aliás, porque eu não conseguia para de olhar em seus olhos. Como se não bastasse, suas ameaças pareciam entoar uma melodia insana, passando-me a mesma sensação tão prazerosa quanto a que ela sentia naquela torturar. Embora, os lados não eram iguais, e eu pude perceber isso quando o afiar de sua faca realmente fez efeito. Junto a primeira gota de sangue, minha sanidade de volta.
Não vai sair nada da minha boca, não importa o que você faça. Inclusive, seu desespero só conforta meu sacrifício. Muito obrigado.

Minha confiança ainda mantinha-se intacta, o suficiente para até brincar com a minha tão bela algoz. De fato, não fora uma atitude sensata, e, logo eu perceberia isso.
Escolha errada docinho.

Sua postura argumentativa desmoronou-se assim que se pôs de pé. Sua posição ereta indicava-me que, finalmente, começaria. Seu primeiro ato de fúria fora um chute forte em meu rosto. A dor era proporcional a quantidade exorbitante de sangue que cuspi. Uma força selvagem. Entretanto, embora tivesse mostrado toda sua brutalidade, seu sorriso não desapareceu em nenhum momento. Seu prazer em fazê-lo podia ser notado. Agarrou a gola da minha blusa e rasgou-a por completo; Prosseguiu, caminhando até uma possível lareira, onde hasteio uma espécie de ferro em brasas. Eu já fazia ideia do que estava por vir, portanto, tratei de respirar fundo, num quase mantra, tentando amenizar a possível dor.
Vou fazer perguntas mais fáceis, se você me responder eu juro que par, ok?

Que tom era aquele? Que prazer insano em fazer mal a alguém. Agora, não restavam dúvidas, ela estava realmente gostando daquilo. E gostou ainda mais quando eu a incitei.
Vamos, ande logo com isso.
Que bom que você está empolgado. Talvez dure mais que os outros.

Ela sorriu, e eu também. Porém, para mim, não por muito tempo. Aquele metal super aquecido toca meu peito, ardendo meu corpo. Imediatamente meu grito entoa pela sala, acompanhado pelo terrível cheio de carne queimada. ─ É o máximo que pode fazer? ─ Eu incentivei, e ela pareceu responder. Rapidamente, tratou de pegar algumas agulhas e dispor sobre a mesa. Enquanto avaliava e media cada minúcia de seus instrumentos, ela brincava com minha sanidade.
Sabe, o corpo humano é magnífico. Existem pontos de pressão, capazes de fazer o mais forte dos homens se retorcer em dor. Veja só...

Antes que eu pudesse concluir, aquele objeto metálico furou perfurou minha pelo. A dano fora crucial, fazendo-me quase paralisar de dor. Ou de vontade. Eu ainda estava convicto. E minha determinação fazia-la ainda mais bela: Ela precisava e queria me dobrar, e, portanto, tamanho prazer. Enquanto motivada, era mais que perfeita. E eu não conseguia parar de olhar em seus olhos. Como poderia despertar qualquer sentimento por aquela que me torturava? Não tinha sentido, e eu também não tinha tempo para entender. Meu curtir era masoquista.
Eu ainda estou de pé, amor.

Nesse jogo nós continuamos, passando por brinquedos não tão interessantes, capazes de provocar dores se quer imagináveis. Meu corpo passou por uma viagem insana, mortal. O que me segurava era meu espírito, quase concreto.

Algo novo acontece: Meu algoz recebe uma ligação bastante conturbada, dando para facilmente ouvir gritos furiosos. Parecia que alguém não estava contente com a situação. Sua face muda, seus olhos turvam, e seu brilho se esvaí. Uma facada voraz no meu toráx, próxima ao meu coração, confirma, era uma outra mulher.
Eu não posso mais perder tempo.
É mesmo? Já eu tenho todo tempo do mundo.
Você não vai falar não é?
Só agora que você percebeu?
Eu só precisava confirmar. Então você não tem mais utilidade.

Sua faca gira à esquerda, ferindo meu principal órgão. A morte era inevitável. Porém, não era o fim. Alguns segundos depois, eu retornei a mim. O artefato preso no meu tornozelo, de fato, era-me bastante útil: Eternidade. Ela já estava de costa, saindo da sala.
Ei, mercenária, eu ainda estou aqui.

Quando minhas palavras tocaram seus ouvidos, ela parou, ou mais, paralisou. O susto fora intenso. Onde tinha errado? Porque eu não tinha morrido? De fato, dúvidas a rodeavam. Sem muito a fazer, ela voltou-se a mim, para reafirmar seus atos.
Parece que você é mais durão que eu pensava.
A morte é minha aliada.
É o que veremos.

Sua faca perfura meu tórax novamente, desta vez, em cinco pontos diferentes. Confirmava seu acerto, suspeitando de um possível deslocamento do meu coração. Aliás, a quantidade de golpes agravados não deixaria ninguém vivo. Novamente eu morri... Para novamente renascer.
Você não pode me matar, mercenária. Uma nova era está chegando, repleta de magia. Nós renasceremos, bruxos, não mais caçados, caçadores.

Minha não morte, junto a minha ameaça, perturbaram-na tanto, que tirou sua sanidade. Num ato de pura fúria, e dúvida, ela sacou sua pistola prateada, e atirou. Seu alvo, minha cabeça. O sangue jorrou, e eu cai. Agora, eu não voltaria tão cedo; Tempo, o único preço que se pagava pela minha dádiva.

•••


Antes de ver, eu ouvi. Os dois mercenários que me carregavam, falaram sobre algum lugar sinistro, uma espécie de necrotério. Antes que chegasse nesse lugar desconhecido, eu agi, sussurrando um feitiço próprio. A adaga tatuada no meu antebraço toma forma concreta, servindo-me como a arma perfeita para ceifar um daqueles. O outro também não esboço qualquer reação; O espanto por eu ainda estar vivo fora bastante oportuno. Apesar das condições, eu ainda consegui bolar algum plano: Peguei uma granada que carregavam, e usei-a para abrir uma passagem. Fugiria dali assim, por um lugar se quer imaginada.

A explosão ocorreu, e, antes dos alarmes, eu já estava na metade do caminho. Corria como nunca, embora os ferimentos pesassem. Porém, um dos guardas conseguiu me atingir na perna. A queda já fora suficiente para os outro me alcançarem. É, parecia que eu não conseguia fugir. Só parecia. O desespero fez-me fitar o ambiente, procurando por alguma coisa. Eis que eu vejo parte da minha varinha, enterrada perto da uma arvore. Meus amigos sempre confiaram em mim, sempre souberem que eu ia conseguir escapar, eu não decepcionaria-os. Ao erguer meu artefato, um grito de pura emoção.
Patronus!

Meus sentimentos trouxeram o dragão que reside em mim. A fera digladiou com os guardas, protegendo-me. Porém, só queria ir para casa: Como uma das patas eles me segurou, e, logo em seguida, começou a voar. Aquela brisa gélida era revigorante, a sensação de liberdade tanto sonhada.

Enfim, eu dava adeus àquela cadeia. Enfim, nós renascíamos.



Afins.:

Tipo de técnica: Feitiço.
Nível: 9.
Números de Técnicas: Nenhuma.

Nome: Gravoesir.
O que usa: Varinha, objetos.
Descrição: Um feitiço bastante simples. Balançando a varinha sobre um objeto qualquer, posso transformá-lo em um tipo de tatuagem, e gravá-la no meu corpo. Assim, bastando minha vontade, posso realizar o processo reverso, transformando a tatuagem novamente em objeto. Podem acontecer duas situações: O objeto volta sob a posse do usuário, ou assume sua forma ao redor.
Restrição:
1. Pode-se tatuar apenas o que "cabe" no corpo do usuário. Ou seja, nada de coisas enormes.
2. É um feitiço-suporte, portanto, não tem pd nem pa. Entretanto, também não entra na contagem por post.

PD: -
PA: -

Ficha: Link.

Tipo de técnica: Feitiço.
Nível: 9.
Números de Técnicas: Uma.

Nome: Patronus. (Dragão)
O que usa: Varinha.
Descrição: Trata-se de um encantamento capaz de canalizar parte da energia do bruxo para defendê-lo através de sentimentos positivos. É um feitiço de extrema dificuldade, e, portanto, existem dois níveis. No primeiro, cria-se um simples escudo de forma plana à sua frente. No segundo, parte de seus sentimentos são também postos pra fora, dando a essa energia a forma de um animal especial, seu reflexo.
Restrição:
1. Cada usuário tem seu animal, não podendo trocar nunca.
2. Como animal, podem se distanciar em no máximo setenta metro do usuário.
3. O animal não possui organismo, nem essências, evidentemente. Entretanto, capacidades físicas são mantidas.

PD: -
PA: -

Ficha: Link.





O chão não estava no chão. Eu pisava mas não sentia impacto algum. Riam o tempo todo. Presenciei belezas transcendentais, mas do que tudo coisas simples. Eu via milhões de coisas em uma rapidez que a mente não conseguia processar. Passavam imagens, sons e sensações que nada tinham a ver com o de fora, e sim com processos de dentro da minha cabeça. Era um turbilhão, um mundo inteiro, o universo girava dentro de mim. Caleidoscópio em todas as suas possibilidades. Eu precisava que ele parasse mas o universo não para, e é infinito e não para, e contêm todas as coisas e não para, e é infinito e é infinito, e não para e não para.
E é infinito, e não para.

Lucas Kallistw

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